Crise no Irã: O que os Mercados Estão Perdendo

O impasse com o Irã foi além das manchetes e se tornou um verdadeiro risco de cauda.

Desde o final de dezembro, o Irã enfrentou seus maiores protestos desde 1979, enquanto o rial colapsava quase 90%. Relatórios sugerem dezenas de milhares mortos em uma intensa repressão, ao lado de um apagão de internet que durou semanas.

Ao mesmo tempo, o Irã pode, supostamente, enriquecer urânio de grau armamentista em menos de uma semana, expulsou inspetores da AIEA e anunciou exercícios com fogo real no Estreito de Ormuz — uma rota que transporta cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo. Os EUA responderam enviando grupos de porta-aviões e emitindo avisos de ataque.

Os Mercados Estão Muito Calmos

O petróleo perto de $64 reflete um pensamento de excesso de oferta, não a realidade geopolítica. O Irã não precisa de conflito total — minas, drones ou incerteza no transporte sozinhos poderiam aumentar drasticamente os custos de seguro e interromper os fluxos através de Ormuz.

O Bitcoin subiu brevemente acima de $95K devido à demanda por ativos refugio, mas a narrativa é mista. Uma parte significativa da atividade cripto do Irã está supostamente ligada a carteiras conectadas ao regime, tornando o BTC tanto uma ferramenta de fuga quanto uma forma de contornar sanções.

O Risco

O Irã enfrenta colapso econômico, crise de legitimidade do regime e manobras nucleares — tudo de uma vez. Cada opção é custosa: escalar e arriscar ataques, desescalar e parecer fraco, ou reprimir os protestos e alimentar a instabilidade.

Considerações Finais

Os mercados estão precificando um resultado controlado. Eles estão subestimando os riscos de cauda: colapso interno ou interrupção sustentada em Ormuz.

É aí que reside a verdadeira volatilidade.

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