A iniciativa da SWIFT e da Ripple volta ao centro do debate após um novo avanço do sistema bancário tradicional. A rede global de mensageria financeira SWIFT completou um piloto europeu para liquidar bônus tokenizados usando dinheiro fiduciário e stablecoins reguladas. O movimento reforça a adoção de blockchain dentro da banca e levanta questões sobre a narrativa de disrupção que historicamente tem cercado a Ripple.
O ensaio não implica uma substituição imediata das soluções cripto existentes, mas mostra que as grandes instituições avançam em direção a modelos híbridos. Para o mercado, isso redefine expectativas sobre quem liderará a tokenização e os pagamentos institucionais.
Testes da SWIFT com títulos tokenizados e stablecoins
A iniciativa da SWIFT consistiu em um piloto realizado em janeiro de 2026 junto à Société Générale-FORGE, BNP Paribas Securities Services e Intesa Sanpaolo.
O objetivo foi demonstrar que os títulos tradicionais podem ser emitidos e liquidadas como instrumentos tokenizados, mantendo intactos os papéis bancários e os padrões de mensageria existentes. Os títulos tokenizados são representações digitais de títulos convencionais registradas em uma blockchain, em vez de um banco de dados centralizado.
Neste piloto, todo o ciclo de vida do ativo foi coberto. Isso incluiu a entrega contra pagamento, conhecida como delivery-versus-payment, onde a transferência do título e o pagamento ocorrem de forma coordenada. Também foram processados pagamentos de cupons e a redenção final no vencimento.
Para a liquidação, foi utilizado tanto dinheiro fiduciário tradicional quanto EUR CoinVertible, uma stablecoin em euros emitida pela Société Générale-FORGE e compatível com o quadro regulatório MiCA.
Essa combinação permitiu testar que os bancos podem operar ativos tokenizados sem abandonar sua infraestrutura ou assumir riscos regulatórios desnecessários.
“Este trabalho faz parte de uma série mais ampla de casos de uso de ativos e moedas digitais que testamos: conectar ativos tokenizados com sistemas de pagamento existentes com a UBS Asset Management e Chainlink; liquidar pagamentos entre moedas fiduciárias e digitais com a Citi; trocar transações de ativos digitais através de uma conta bancária comercial com a Northern Trust e o Banco da Reserva da Austrália; e habilitar a interoperabilidade de blockchain baseada em ISO 20022 em nossa rede com a HSBC e a Ant International”, pode-se ler no comunicado oficial da SWIFT.
A SWIFT atuou como orquestradora, usando sua rede de mensageria para coordenar plataformas e registros distribuídos. A abordagem demonstra que a tokenização pode ser integrada gradualmente, sem uma ruptura total com os sistemas legados.
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Implicações para Ripple e os pagamentos internacionais
O avanço da SWIFT tem implicações diretas para a narrativa da Ripple, cujo token XRP foi promovido como uma solução para pagamentos transfronteiriços rápidos e eficientes.
Durante anos, a Ripple destacou que a banca tradicional era lenta e cara. No entanto, este piloto sugere que os bancos estão adotando blockchain em seus próprios termos.
Ao usar stablecoins regulamentadas e manter custodians, agentes de pagamento e mensageria SWIFT, as instituições reduzem fricções sem depender de um token volátil. Isso reforça a ideia de que, para os bancos, a prioridade não é a inovação disruptiva, mas a interoperabilidade com marcos legais existentes.
Além disso, o piloto está inserido em um roteiro mais amplo. Em 2025, a SWIFT anunciou planos para incorporar um ledger compartilhado baseado em blockchain, com mais de trinta instituições participando. Isso posiciona a rede como uma ponte entre finanças tradicionais e ativos digitais, um espaço onde a Ripple buscava protagonismo.
Para o XRP, o desafio não é técnico, mas estratégico. Se os bancos podem liquidar títulos e pagamentos usando stablecoins regulamentadas e mensageria SWIFT, a adoção maciça de um token ponte se torna menos urgente. Ainda assim, a Ripple mantém vantagens em certos corredores e casos de uso específicos.
Em resumo
O piloto da SWIFT com títulos tokenizados marca um passo relevante em direção à adoção blockchain institucional. Demonstra que a banca pode inovar sem abandonar suas estruturas ou assumir riscos regulatórios excessivos.
Para Ripple, o avanço não implica uma derrota imediata, mas sim reconfigura expectativas. O futuro dos pagamentos internacionais parece inclinar-se para modelos híbridos, onde a integração e a regulamentação pesam tanto quanto a velocidade ou o custo.
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