Um Powell pusilânime impulsou o bitcoin rumo a 100.000 dólares
O Bitcoin recuperou níveis de preço que não eram vistos há mais de 2 meses.
O mercado esperava algo, o que fosse. Uma pista, um aceno, uma frase solta que permitisse projetar o que o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos fará com as taxas de juros no que resta do ano.
Mas Jerome Powell, presidente do Fed, falou e não disse nada. Ou, melhor dizendo, disse muito sem dizer nada. Seu discurso foi pusilânime, carente de convicção, previsível e mais próprio de um chatbot de inteligência artificial do que do presidente do Banco Central mais influente do mundo.
Não houve corte de taxas, como se previa. Também não houve sinais de que se aproximem. Mas também não de que não se aproximem. "Esperar e ver" continua sendo a política monetária do Fed. Powell voltou a dar a entender que as decisões serão tomadas reunião a reunião, e que tudo depende da evolução da inflação e do emprego. Frases feitas, neutras, desgastadas. A essa altura, ouvir Powell é como ouvir o mesmo audiolivro em loop.
E, no entanto, o bitcoin sobe. Enquanto Powell falava —ou balbuciava sua ambiguidade com modos técnicos— o preço do bitcoin (BTC) começou a subir. E nesta quinta-feira, negocia novamente acima de 99.000 dólares, em seu nível mais alto desde o início de março. Por momentos, a moeda digital flerta com os 100.000 dólares, uma marca que não toca há mais de dois meses.
Então, por que o bitcoin sobe se não houve anúncios relevantes do Fed? Justamente por isso.
O importante é o que não foi dito
A chave para entender o comportamento do mercado está, muitas vezes, nos silêncios. Powell não anunciou cortes, mas também não fechou a porta.
