Um especialista oferece orientação sobre a tokenização, as stablecoins e a adoção institucional em um mercado que movimenta 4 trilhões de dólares e como investir em criptomoedas. Os dados foram consolidados por plataformas como CoinMarketCap e CoinGecko.

No mesmo período, os ativos do mundo real tokenizados moveram dezenas de milhares de milhões de dólares, segundo RWA.xyz. Este movimento reflete o avanço da adoção institucional e o fortalecimento de estruturas financeiras baseadas em blockchain.

As stablecoins ganharam espaço no mercado cripto. Essas moedas digitais são lastreadas por ativos tradicionais como o dólar. Funcionam como uma ferramenta de liquidez e proteção contra a volatilidade.

Os ativos do mundo real (RWA), por sua vez, representam a digitalização em blockchain de ativos tradicionais. Entre eles estão os valores financeiros, imóveis, crédito privado, ações e commodities. Este modelo amplia o acesso e a eficiência operacional nessas transações.

Mudança de foco

Felipe Mendes é CEO da Altside. Ele sustenta que os investidores precisam mudar seu foco em 2026.

«O jogo em 2026 não se trata da seleção de tokens, mas da Eficiência de Capital. Estatisticamente, nenhuma carteira de altcoins supera o Bitcoin a longo prazo. Por isso, nossa estratégia não é “escolher ativos”, mas usar a infraestrutura DeFi para colocar o capital que está inativo para trabalhar. Tratamos o Bitcoin como uma reserva e as blockchains como ferramentas para gerar rendimentos com o que antes ficava parado», afirma.

O especialista compilou cinco dicas para quem deseja investir de forma mais consciente no próximo ano.

1. Priorize os ativos do mundo real tokenizados

Os ativos do mundo real permitem que ativos tradicionais sejam representados digitalmente na blockchain. Este modelo oferece fracionamento, mais transparência e maior liquidez. Amplia o acesso a produtos antes concentrados em grandes instituições.

«A tokenização não é mais apenas um experimento tecnológico. Permite que os investidores acessem ativos que antes estavam restritos a grandes instituições, com mais transparência, fracionamento e eficiência operacional», avalia Mendes.

2. Use stablecoins como ferramenta de equilíbrio

As stablecoins funcionam como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto. Em 2025, o valor de mercado global dessas moedas superou 296 bilhões de dólares. Os dados vêm da DeFiLlama, uma plataforma que rastreia a liquidez e protocolos financeiros em blockchain.

«Na prática, as stablecoins permitem que os investidores mantenham recursos dentro do ecossistema cripto com menor exposição à volatilidade. Possibilitam pagamentos internacionais, transferências rápidas e aproveitam oportunidades durante as correções de preço», explica o CEO.

3. Foco na eficiência de capital

DeFi (finanças descentralizadas) elimina intermediários. Permite que o capital inativo gere renda. Os investidores usam blockchains como Ethereum e Solana para obter rendimentos sobre recursos que de outra forma ficariam sem uso.

«O jogo mudou: agora a prioridade não é encontrar a próxima altcoin da moda, mas maximizar a produtividade dos seus ativos. O investidor inteligente mantém Bitcoin como sua reserva e usa aplicativos descentralizados para gerar retornos sem ter que vender suas posições principais», avalia Felipe Mendes.

4. Estabeleça regras para navegar em períodos de volatilidade

O mercado cripto é caracterizado por ciclos. Principalmente são causados por eventos macroeconômicos e de liquidez. O investimento médio em dólares ajuda a reduzir o impacto da volatilidade. O método consiste em investir quantias fixas regularmente, independentemente do preço do ativo.

Outras alternativas incluem pools de liquidez e o uso de opções financeiras como proteção de ativos. Os pools reúnem recursos para facilitar a negociação.

«Historicamente, o mercado cripto segue ciclos associados ao Bitcoin, que estão diretamente relacionados a eventos macroeconômicos», destaca o especialista.

5. Monitore os riscos e sinais reais de adoção

As mudanças regulatórias, o cenário macroeconômico e o comportamento emocional dos investidores continuam sendo fatores de risco importantes.

O acompanhamento de métricas on-chain ajuda a avaliar o nível real de adoção no mercado. Esses são dados públicos registrados diretamente na blockchain. Entre eles: volume de transações, endereços ativos e movimentos de grandes carteiras.

«Esses indicadores mostram o que realmente ocorre na blockchain, além do preço. Os investidores que monitoram a evolução da adoção e mantêm uma visão de longo prazo tendem a tomar decisões mais consistentes», aponta.

Perspectivas para 2026

O CEO da Altside destaca que o mercado está mais estruturado, mas ainda requer cautela.

«O ambiente em 2026 será mais profissional, mas também desafiador. Uma consultoria especializada ajuda a alinhar o perfil do investidor, definir caminhos personalizados e estruturar operações mais eficientes, reduzindo riscos e evitando erros comuns», conclui Felipe Mendes.