O preço do ouro digital pode corrigir para $60 000 em meio ao agravamento da guerra comercial entre os EUA e a UE. Esse cenário foi admitido pelo macroeconomista Luke Gromen.

Na sua opinião, a isolação internacional dos Estados Unidos e a recessão econômica também podem provocar vendas em massa e a saída de recursos institucionais.

Além disso, o especialista enfatizou que os investidores institucionais dificilmente serão a força motriz da primeira criptomoeda em direção a um novo máximo este ano. Para isso, é necessário um 'forte estímulo fundamental'.

“Se você espera que os investidores institucionais elevem o preço de $90 000 para $150 000, então, sem um catalisador sério, isso provavelmente não acontecerá. Assim, os investidores institucionais não agem. Eles vão esperar”, disse ele.

Para tal aumento, o Bitcoin precisaria valorizar mais de 65% em relação aos atuais níveis em torno de $89 800.

Como principais motores de crescimento, o analista destacou a aprovação do Clarity Act nos EUA e um possível novo afrouxamento quantitativo do Fed.

A demanda institucional permanece alta

O CEO da plataforma analítica CryptoQuant, Ki En Ju, observou que “a demanda institucional por Bitcoin permanece forte”.

“As carteiras dos serviços de custódia americanos geralmente contêm de 100 a 1000 BTC cada. Se excluirmos as bolsas e mineradores, isso fornece uma estimativa aproximada da demanda institucional. ETFs também estão incluídos no cálculo”, escreveu ele.

Segundo o especialista, no último ano, grandes investidores compraram 577 000 BTC no valor de $53 bilhões. O influxo de recursos continua, afirmou Ju.

Os ETFs estão perdendo capital

Após a última sessão de negociação, os fundos de índice de Bitcoin à vista americanos perderam $708,7 milhões. Foi a maior saída diária em dois meses.

As maiores perdas foram do IBIT da BlackRock — $356,6 milhões. Em seguida, vem o FBTC da Fidelity com uma saída de $287,7 milhões.

Do Ethereum-ETF, os investidores retiraram $286,9 milhões. A maior parte foi para o ETHA da BlackRock — $250,3 milhões.

A analista da BTC Markets, Rachel Lucas, acredita que a dinâmica negativa não está relacionada a uma fraqueza estrutural — em vez disso, as saídas são causadas por uma 'redução clássica de riscos'.

“Quando as condições macro pioram — taxas aumentam, a geopolítica se intensifica ou ocorre uma volatilidade repentina — as instituições geralmente retiram recursos primeiro de ativos com alta beta”, comentou ela.

Em 21 de janeiro, o preço do Bitcoin caiu abaixo de $88 000 em meio ao colapso dos mercados acionários devido à tensão nas relações entre os EUA e a UE.

Logo, as cotações se estabilizaram, impulsionadas pela declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a obtenção de um acordo em relação à Groenlândia. O político também decidiu não impor tarifas sobre importações de países europeus em fevereiro.

“Apesar do complicado macrocontexto, o mercado de criptomoedas demonstra uma relativa resiliência à medida que as posições se normalizam”, observou o diretor de investimentos da Kronos Research, Vincent Liu.

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